Sobre o blog

Blog que retrata sobre os mais diversos
assuntos de Psicologia e suas abordagens.
Acadêmicos: Alessandra Schindler,
Giane Assmann, Luciane Pillar e Mateus
Kratz.






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sábado, 28 de novembro de 2015

Introdução a Psicologia do Desenvolvimento Infantil

Por Alessandra Schindler



                                           


                      Introdução a Psicologia do Desenvolvimento Infantil



A Psicologia do Desenvolvimento é conhecida por estudar as alterações que ocorrem no ser humano no decorrer de sua vida, ou seja, desde o momento da gravidez, nascimento até a morte. De acordo com esta psicologia, acredita-se que passamos por fases, etapas ou estágios de desenvolvimento que é comum para todos.


Os principais teóricos e suas abordagens desta psicologia são:


Jean Piaget - Métodos piagetianos e clínicos - estágios cognitivos. Foco na organização, adaptação, esquemas, assimilação e acomodação; Teoria da Equilibração - visão interacionista.


Henri Wallon - Psicogênese da pessoa, procura estudar o desenvolvimento humano a partir de uma perspectiva genética/análise comparativa. A criança como centro e o desenvolvimento humano é visto em conjunto/estudo integrado. 
 

Lev Vygotsky - Psicologia Cognitiva, experimental com a neurologia e a fisiologia - processos mentais superiores. O desenvolvimento ocorre em relações de troca com o meio devido a interação e mediação social. 


John Bowlby - Teoria do Apego - Psicologia Cognitiva e psicanálise. Enfatiza o apego da criança com a mãe ou figura de apego, a importância da infância na constituição do psiquismo humano/determinismo implícito.
 

Urie Bronfenbrenner - Método bioecológico - pessoa + ambiente. Aborda a influência de políticas públicas no desenvolvimento da criança e família, estuda os indivíduos em seus próprios contextos.
 

David Bjorklund e Anthony Pellegrini - Piscologia Desenvolvimentista Evolucionista: foco na bioevolução, relação entre o comportamento e o desenvolvimento humano de acordo com os genes.
 
Vídeo explicativo sobre a Psicologia do Desenvolvimento:
 

 




Referências



VYGOTSKY, Lev. A formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.


RABELLO, E.T. e PASSOS, J. S. Vygotsky e o desenvolvimento humano. Disponível em
http://www.josesilveira.com


MARTINS, Edna. SZYMANSKI, Heloisa. A abordagem ecológica de Urie Bronfenbrenner em estudos com família. Estud. pesqui. psicol. v.2004 n.1 Rio de Janeiro jun. 2004.


MARTINS, Gabriela Del Forno; VIEIRA, Mauro Luís. Desenvolvimento humano e cultura: integração entre filogênese, ontogênese e contexto sociocultural. Rev. Estudos de Psicologia, 15(1), Jan-Abr/2010, 63-70.



VIEIRA, Mauro Luís; PRADO, Alessandra B. Abordagem evolucionista sobre a relação entre filogênese e ontogênese no desenvolvimento infantil. Texto publicado no livro: “O bebê do século XXI e psicologia em desenvolvimento” (pp. 155-204), organizado por Maria Lucia Seidl-de-Moura e publicado pela Editora Casa do Psicólogo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O Borderline e a Teoria do Apego



Por Alessandra Schindler












O Borderline e a Teoria do Apego



O Transtorno de Personalidade Borderline ou Limítrofe é caracterizado pela sensação de abandono, rejeição, sentimento de vazio, impulsividade, relacionamentos instáveis e intensos, raiva, perturbação da identidade, alteração de humor e suicídio. Segundo o DSM-V, este transtorno surge na fase do jovem adulto e geralmente ocorre com maior predominância nas mulheres.[1] Hoje em dia, sabe-se que a infância tem papel fundamental no desenvolvimento do transtorno, principalmente quando envolvem episódios de abusos sexuais, rejeição pelas figuras parentais e/ou cuidadores e abandono, de forma que marca a criança até a sua vida adulta se não tiver acompanhamento psicológico. Com base nisso, pode-se observar uma ligação entre o Borderline e a Teoria do Apego de John Bowlby.


A Teoria do Apego tem como abordagem a psicanálise e a etologia (estudo do comportamento animal), resumidamente, a teoria de Bowlby aborda que o apego é parte essencial do desenvolvimento humano. Na fase infantil, a criança busca uma base segura na figura de apego (que pode ser a mãe, pai ou algum outro cuidador), ela busca proximidade e quando separada pode ocorrer protestos através do choro e gestos. Segundo Bowlby, o apego é qualquer forma de comportamento que resulta em uma pessoa alcançar e manter proximidade com algum outro indivíduo, considerado mais apto para lidar com o mundo (Bowlby, 1989, p. 38).


Como uma das características principais do Borderline é a sensação de abandono e rejeição, pode-se fazer uma relação entre o apego e a separação.[2] De acordo com Eppel, uma das características mais fundamentais da personalidade limítrofe é a busca por proximidade. A relação entre a figura de apego e a criança é o ponto fundamental para que ela consiga se desenvolver, principalmente no quesito afetivo e cognitivo visto que as pessoas tendem a criar representações internas dos relacionamentos de acordo com as interações das figuras de apego na infância.


Segundo Hoermann, essas representações influenciam no desenvolvimento da pessoa, nas interações sociais, expectativa em relação à sociedade e nas questões emocionais. No caso do Borderline, podemos classificar em grande maioria como sendo do tipo inseguro de apego, ou seja, as pessoas tendem a ter um relacionamento instável e intenso, seja com familiares, amigos ou conjugues (quando na fase adulta). Podem apresentar padrões de comportamentos evitativos, que cria como consequência a rejeição por parte do Borderline em relação a pessoa que ele tinha alguma afinidade, seja na fase infantil ou adulta. Também pode ocorrer o apego desorganizado, que é quando a criança ou adulto apresenta uma dualidade em suas ações, entre o querer e não querer, entre ter o apego ou a rejeição.


Sobre as figuras de apego, Hoermann afirma que:



[...] quando os cuidadores rejeitam, são frios e/ou inconsistentes, em resposta às necessidades das crianças (em vez de serem sempre acolhedores e reconfortantes), as crianças não veem os cuidadores como pilares calmos e seguros, e, posteriormente, desenvolvem representações mentais de relacionamentos como inseguros. [...} as crianças não aprendem efetivamente a regularem suas próprias emoções ou a acalmarem-se.


Naturalmente, não são todas as crianças que apresentam traços Borderline por ter tido algum tipo de comportamento inseguro ou que tenham sofrido algum trauma. Acredita-se que o ambiente, aspectos neurológicos e genéticos possam influenciar na possibilidade do transtorno de personalidade Borderline aparecer.


Portanto, conclui-se que as pessoas com o transtorno Borderline têm a tendência a ter o tipo de apego inseguro, apresentando dificuldades nos rompimentos de laços afetivos, comportamentos impulsivos, raiva, ilusões mentais, ações contraditórias e sentimentos de vazio. Segundo Bowlby, existe grande influência que a figura de apego exerce na vida do sujeito, podendo prepará-lo ou não a se adaptar ao mundo.


Notas

[1] American Psychiatry Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders - DSM-5. 5th.ed. Washington: American Psychiatric Association, 2013.


[2] HOERMANN, Simone. Ph.D.; ZUPANICK, Corinne E. Psy.D.; DOMBECK, Mark, Ph.D. What is personality? Disponível em <www.mentalhelp.net/articles/what-is-personality>2013>.


Referências


EPPEL, Alan B. Uma visão psicobiológica da personalidade limítrofe. Disponpivel em:<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-81082005000300005&script=sci_arttext> Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul vol.27 no.3 Porto Alegre Sep./Dec. 2005


American Psychiatry Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders - DSM-5. 5th.ed. Washington: American Psychiatric Association, 2013.


WEST, Keller A M; LINKS, Patric J. P. Borderline disorder and attachment pathology. Can I Psychiatry, 1993; 38 (suppl.): S16-21.


HOERMANN, Simone. Ph.D.; ZUPANICK, Corinne E. Psy.D.; DOMBECK, Mark, Ph.D. What is personality? Disponível em <www.mentalhelp.net/articles/what-is-personality>2013>.