Sobre o blog

Blog que retrata sobre os mais diversos
assuntos de Psicologia e suas abordagens.
Acadêmicos: Alessandra Schindler,
Giane Assmann, Luciane Pillar e Mateus
Kratz.






sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Ensaio sobre a noção de poder em Michel Foucault

 
Por Giane Assmann

 


Ensaio sobre a noção de poder em Michel Foucault

O Poder não pode e não deve ser pensado como uma mercadoria, uma recompensa, ou uma trama, e sim como uma operação de tecnologias politicas através do corpo social e o seu funcionamento será responsável pelo estabelecimento de relações desiguais e assimétricas o que poderá caracterizar as relações de poder como desiguais.

Para analisar o poder é preciso entendermos a análise do seu funcionamento diário através das micro práticas das tecnologias políticas, onde nossas práticas se formam.

Além dos mecanismos de formação, direção e modificação do comportamento humano, deveremos pautar também as relações as quais o indivíduo está inserido e o seu saber, também é preciso ser levado em conta as articulações que identificam esse indivíduo dentro de um contexto populacional, como parte de um corpo social, onde será possível definir as pautas de governo e de cuidados coletivos.

Para Focault, o poder não estava localizado em uma instituição e nem em contratos jurídicos ou políticos. Para ele o poder reprime mas também produz efeitos de saber e verdade. Para ele o poder serviria para identificar o indivíduo atuando sobre outros indivíduos. Para o filósofo existia o que ele deu o nome de Triangulo (poder- direito- verdade), com isso ele queria nos mostrar o poder como direito, pelas formas que a sociedade se coloca e se movimenta, ou seja se há leis que operam, há também os que a ela devem obediência, somos forçados a produzir a verdade pelo poder que exige essa verdade e que necessita dela para funcionar. Nos mostra também que as relações de poder postas pela sociedade, escolas, prisões, instituições, são marcadas pela disciplina. É pela disciplina que a relação de poder se torna mais facilmente observável, pois é através dela que se estabelecem as relações opressor-oprimido, mandante-mandatário, e tantas outras quanto forem as relações que exprimam comando e comandados, a disciplina seria então um instrumento de dominação e controle dedicado a excluir ou domesticar os comportamentos emergentes. A noção de homem era vinculada a sistemas limitados historicamente, o que existiam eram sujeitos que variavam de tempo e lugar dependendo de suas interações não apenas um (objeto (submetido a ação da natureza) e sujeito ( aquele que seria capaz de mudar o mundo ) ( como era falado desde a antiguidade). Observou também que a mente e corpos humanos poderiam ser moldados por diversas instituições sociais ao mesmo tempo em que se firmavam várias instituições de proteção ao cidadão como escolas, hospitais, presídios, nelas também se inseriam mecanismos de controle baseados na ameaça de punição – a esses mecanismos Foucault deu o nome de (Tecnologia Politica), que tinha poder de controle ( de espaço, tempo, informações), e seu principal elemento era a hierarquia.

As escolas para Foucault tinham uma forma de escrever o poder e produzir um determinado tipo de sociedade através de (vigilância, adestramento do corpo e da mente). Nesse sentido as escolas, hospitais e prisões eram considerados por ele como instituições de sequestro, onde o indivíduo é retirado do seu espaço social e internado por longos períodos para que a sua conduta seja moldada e seu comportamento disciplinado.

Para ele não existia um único poder e sim um macro poder e um micro poder, não acreditava que o poder e a dominação fossem originários de uma única fonte controladora, mas sim de que seriam exercidos em várias direções todos os dias em diferentes níveis, essa ação segundo Foucault não é sempre opressora, ela pode estar também relacionada por exemplo pela criação, portanto para ele não existe relação de poder que não seja acompanhado pela criação de um saber, um conhecimento e vice verso.

Uma das grandes percepções de Foucault foi a de que ao criamos novos saberes, passamos a conhecer melhor os indivíduos, sua subjetividade, sua maneira de ser. Saberes (hoje conhecido pelo nome de Ciências Humanas), passou a ter um conhecimento muito grande sobre o que passa na cabeça das pessoas, no modo de vida delas, e nas suas interações diárias. Vivemos em um sistema onde o controle não é mais exclusivo do poder mas também do saber sobre o indivíduo, é este que tem um grande poder de controle na vida das pessoas (Psicologia, fonoaudiologia, medicina, Direito)

Esse foi o gancho para que o homem conseguisse agir contra o que não quer ser e pensar em outras possibilidades para o mundo em que vive, ou seja, é possível lutar contra a dominação representada por certos padrões de pensamentos e comportamentos, só não se pode ser imune e escapar completamente das relações de poder.



Referência

SOUZA, Washington L. Ensaio sobre a noção de poder em Michel Foucault. Disponível em: http://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/ML/article/viewFile/3160/2911. Rev. Múltiplas Leituras, v. 4, 2, 2011, p. 1-2 ISSN 1982-8993.

Representação Social na Abordagem Psicossocial

Por Alessandra Schindler

Sim, mais um texto de Psicologia Social, prometo que logo postaremos outros assuntos hahah.
Em todo caso, "Representações Sociais" considero um dos temas mais complexos que já estudamos até o momento. Mas ao mesmo tempo que é complexo, é um dos mais fascinantes. Os dois principais autores do assunto são Mary J. Spink e Serge Moscovici, se alguém tiver interesse em ler as obras deles, recomendo bastante! Em todo caso, segue o texto do dia! :*


O conceito de representação social na abordagem psicossocial – Mary Jane P. Spink


Introdução

Sabemos que no mundo temos influências que agem de forma direta ou indireta sobre o nosso modo de vida, nossa vida social. Retratar as representações sociais, ou seja, fenômenos sociais indica que não podemos observar somente um fato, um indivíduo, um fenômeno solitário, mas sim, o coletivo, seja através de elementos cognitivos, seja por influência histórica, filosófica, social e até mesmo pela política e economia, mostrando o conceito de transdisciplinar, as formas de conhecimento, o sujeito como produto e produtor a realidade social, as representações sociais enquanto campos socialmente estruturados e núcleos estruturantes.



As representações sociais enquanto conceito transdisciplinar

Transdisciplinaridade pode ser conceituada como sendo um foco de diversos conhecimentos que, juntos, tentam compreender os mais variados fenômenos sociais. Ocorre uma desconstrução da divisão do indivíduo. Todas as ciências humanas são influenciadas pelas representações sociais. A psicologia estuda o seu conteúdo e seu processo de elaboração. As representações sociais podem ser abordadas em eventos intra-individuais, podendo ser mentais (onde a participação do social não é muito vista), como elementos centrais da comunicação – representação pública ou como elementos coletivos comunicados repetidamente (senso comum) – representações culturais.



As representações sociais como formas de conhecimento

Entender o conceito de Representações Sociais pode levar a diversos termos cujo sentido se torna de fácil compreensão. As representações sociais, como formas de conhecimento, são analisadas de acordo com 3 tempos descritos no texto: epistemologia clássica (distribuição de poder) à incorporação do social, relativização da objetividade e ampliação do olhar (ver o senso comum como conhecimento válido e responsável pelas transformações sociais).


De acordo com Moscovici, existem dois eixos que são abordados nas representações sociais, a primeira é a estrutura estruturada e a segunda, estrutura estruturante. Segundo Spink, “estruturas estruturadas” são “respostas individuais enquanto manifestações de tendências do grupo de pertença” e “estruturas estruturantes” são “expressões de realidade intra-individual”. Ou seja, a primeira subentende-se que seria o comportamento do sujeito mediante as tendências do grupo no qual se encontra e a segunda refere-se as crenças e comportamentos que serão analisados individualmente para então transformar em uma representação social. 



Neste contexto, o conhecimento do senso comum entra em ação, não sendo ignorado ou “inutilizado” pelos estudiosos e profissionais. Como o próprio texto diz, é uma teia de significados que sustenta nosso cotidiano e sem a qual nenhuma sociedade pode existir, criar efetivamente a realidade social (construção social da realidade).



O sujeito como produto e produtor da realidade social

O sujeito como produto e produtor ocorre de forma simultânea na realidade social. Existem múltiplas singularidades que acabam se entrecruzando, ou seja, o sujeito realiza a sua história e a dos outros sujeitos ao mesmo tempo em que essa realização é feita por ele, seja de forma alienada, em função de um projeto ou por escolha qualquer. O sujeito como produto é visto como uma relação indivíduo-sociedade, onde o sujeito tem a sua singularidade, seu espaço no processo histórico, mas também, permite se expressar dentro da subjetividade. Spink traz em seu texto, a questão do afeto, que passa a ter maior participação na compreensão do sujeito social, onde a questão do afeto se torna agente das transformações na história singular e coletiva, a emoção em si, passa a possibilidade de apreender o mundo.


A especificidade da abordagem da psicologia social

A contribuição da psicologia social para as representações sociais surge com a abordagem psicossocial. Ela busca mudar o foco da divisão entre indivíduo e sociedade e entre o psicologismo e o sociologismo. O psicologismo pode ser entendido como sendo a analise do estado mental do produtor quando gera conhecimento (senso comum). Já o sociologismo, analisa as consequências geradas por estes conhecimentos sem estudar o seu produtor/sujeito.

A psicologia social tenta fazer a junção do sujeito e de seus produtos mentais que fazem parte das representações sociais, entrando assim, a questão dos campos socialmente estruturados, que só são entendidos de acordo com as condições de sua produção e dos núcleos estruturantes da realidade social.



As representações sociais enquanto campos socialmente estruturados

As RS como campos socialmente estruturados têm característica flexível e de permeabilidade com estrutura dinâmica. Ou seja, aqui entra a questão do reconhecimento do senso comum como parte da realidade social. Existe a permanência da tradição, da cultura local e junto com ela entra as novidades, o locus da multiplicidade, diversidade e contradição. A ciência e o senso comum se unem (apesar de serem contraditórias às vezes), para formar o imaginário social (descrito como uma teia de significados tecidos pelo sujeito) através da visão do mundo e das disposições adquiridas em função de pertencer a grupos sociais. Os campos socialmente estruturados permitem a mudança, novidades (função cognitiva) e novas formas de juntas os fatos estranhos com os tradicionais.



As representações sociais enquanto núcleos estruturantes 

As RS como núcleos estruturantes são vistas como uma atividade voluntária orientada para um determinado resultado – ordem social. De acordo com Spink, existem diversas funções dentro das RS como núcleos estruturantes. Algumas delas são consideradas como sendo: orientação das condutas e das comunicações – função social; proteção e legitimação de identidade social – função afetiva e familiarização com a novidade – função cognitiva, sendo está ultima dividida em dois aspectos: a ancoragem e a objetivação.

A ancoragem aborda aquilo que é desconhecido ou diferente para um pensamento já formulado. Sua função é inserir este “diferente” no contexto social já existente. Enquanto que a objetivação é trazer aquilo que existe no pensamento para a realidade, transformando a “imagem” em algo que possa ser utilizado. Ela é dividida em três processos: descontextualização da informação, formação de um núcleo figurativo e naturalização.


 Referências

SPINK, Mary J. O conceito de representação social na abordagem psicossocial. Disponível em:
http://www.scielosp.org/pdf/csp/v9n3/17.pdf. Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 9 (3): 300-308, jul/set, 1993.

MOSCOVICI, Serge. Representações sociais. Ed. Vozes, 2010.




quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Reflexão Crítica - Olhar, ouvir e escrever

Por Alessandra Schindler

Então... Mais um texto que me chamou a atenção na aula de Psicologia Social, "O trabalho do antropólogo" de Roberto Cardoso de Oliveira, mais especificamente o capítulo 1, que fala sobre "olhar, ouvir e escrever". É uma reflexão crítica simples, mas espero que gostem e se tiverem a oportunidade ler o livro (ou o capítulo) tenho certeza de que vão adorar! A Psicologia não anda sozinha somente com suas abordagens, diversas áreas de conhecimentos estão interligadas.



 
O trabalho do antropólogo: olhar, ouvir, escrever



“Olhar, ouvir e escrever” são três vertentes utilizadas em diversos aspectos de nossas vidas, naturalmente, que no campo da antropologia e as demais ciências sociais, utilizar-se destas simples ferramentas é imprescindível para pesquisas de diversos feitios, como é explicado pelo autor Roberto Cardoso de Oliveira. Fico pensando na colocação de Oliveira, ao afirmar que “olhar, ouvir e escrever”, são consideradas faculdades do entendimento sócio-cultural, que são inerentes ao modo de conhecer das ciências sociais. Se for parar para analisar, ele está certo. São coisas que fazemos no nosso dia a dia, mesmo que não esteja voltado para a pesquisa. Neste caso, Oliveira os chama de atos cognitivos de natureza epistêmica.

Sobre o “olhar”, entendi que é utilizado como primeira ordem para realizar a investigação do local, objeto ou qualquer que seja o foco da pesquisa de campo. Para facilitar ou agregar maior valor ao foco de analise, é interessante treinar o olhar através de “teorias”, utilizando as palavras do autor: domesticação teórica de seu olhar. Ou seja, utilizamos o olhar para “carregar” as informações necessárias do ambiente que iremos estudar ou analisar, podendo a realidade sofrer um processo de refração (imagem óptica).

Mas as pesquisas de campos não são feitas somente pela observação, Oliveira destaca a questão de “ouvir” como sua segunda ordem na investigação. Ou seja, um complemento para o olhar e ferramenta necessária para distinguir aquilo que precisamos daquilo que, no momento, não é tão importante ou interessante. Neste caso, o ouvir serve também, como um delimitador ou um diferenciador entre “idiomas culturais”. Por “idiomas culturais”, entendo que o autor esteja se referindo às diferenças culturais,

comportamento, ambiente, linguagem, costumes e entre outros aspectos que possam diferenciar o pesquisador do indivíduo a ser estudado. O “ouvir” para o antropólogo, se torna algo único para definir as limitações entre pesquisador-informante e de uma exposição não dialógica. Por exposição não dialógica, creio que seja uma exposição aonde não ocorra discussão, algo sem debates. É neste sentido que aparece o termo “entrevista”, muito utilizado pelo autor.

Compreendi que o pesquisador tem que ser o mais neutro possível, que às vezes, ele pode acabar tendo uma atitude autoritária ou não, dependendo do modo de abordagem do mesmo, Quando Oliveira refere-se que o pesquisador e o informante devem ter diálogos iguais para não contaminar o discurso de um com os elementos do outro, posso entender a relação entre eles, ou seja, é neste momento que ocorre a interação social. Para isto, o autor da o nome de observação participante.

O foco principal do autor foi a escrita, terceira e mais importante ferramenta para a pesquisa em campo e etapa final do trabalho do antropólogo ou das ciências sociais. Nesta fase que o trabalho adquire o aspecto crítico. No decorrer do texto, Oliveira diz que é o escrever que cumpre a alta função cognitiva. Pelo que entendi, isto ocorre porque é neste momento que juntamos o processo de “olhar” e de “ouvir” para textualizar os fatos, para argumentar e comunicar. Entendi que é através da escrita que ocorre a autonomia do pesquisador, que é neste momento que ocorre a sua interpretação sobre o que foi analisado, uma representação coletiva.

Além da questão de escrever, Oliveira destaca três tipos de produções monográficas, que são: monografia clássica (que pode ser fragmentada), monografia moderna (mais delimitada, um tema específico que abrange a sociedade ou cultura) e a monografia experimental (que trás um aspecto mais íntimo do (a) autor (a), sendo escrita na primeira pessoa e trazendo contribuições para a teoria social).

Por fim, consigo concluir que, apesar de serem ferramentas que usamos diariamente, treinar o olhar, o ouvir e o escrever, pode facilitar a pesquisa em campo. Estes fundamentos estão ligados com o sistema de ideias e valores de cada um e a aplicação da prática dos mesmos poderá ser útil para qualquer área. A investigação empírica, do “estando lá” e “estando aqui”, sendo respectivamente, o olhar e o ouvir com a escrita, que definem estes atos cognitivos em campo.

Reflexão Crítica - A dona da voz e a voz da dona

Por Alessandra Schindler
 
Durante a aula de Psicologia Social, a professora disponibilizou um texto da autora Mila Burns, falando sobe Dona Ivone Lara e foi uma das produções que mais me marcou durante essa matéria, sendo assim, gostaria de compartilhar uma reflexão crítica sobre o texto e essas duas mulheres fantásticas!
 
 


A dona da voz e a voz da dona – Mila Burns




Diferenças de gênero, contexto histórico, etnias, arte e música. A biografia de Dona Ivone Lara, trazida por Mila Burns, retrata a jornada desta mulher, a principal compositora de samba do Brasil. História fascinante que mostra as dificuldades e desafios de ser mulher naquela época (1940). Dona Ivone Lara, mulher, negra, “pobre” e órfã, demonstrou ser uma guerreira durante a sua trajetória.

Durante o texto, a autora destaca o modo de agir (estratégias), os sentimentos, sonhos e objetivos de Ivone, dando foco também, para as questões familiares que tiveram grande peso para muitas de suas decisões. Estas questões familiares é o que mais chamou a atenção. Considerando o contexto histórico não só da família, mas também do ambiente da época, o apoio que eles deram para que Ivone tivesse um futuro foi significativo para que ela conseguisse realizar o seu projeto de vida.

Pertencente de uma família que já estava ligada com a música, e o samba principalmente, se tornar uma compositora, apesar de não ter sido o foco principal dela quando jovem, a tornou uma pessoa apaixonada e curiosa pelas coisas da vida, e ao ter perdido seus pais quando era criança, fez com que ela se torna mais responsável (como ela própria afirma).

Um dos pontos mais interessantes sobre estes relatos, é a ideia de D. Ivone ter metas para ajudar a família, para ter um futuro, estabilidade e segurança. Percebe-se que sempre foi uma mulher dedicada, que nunca deixou de estudar, analisar e aproveitar as

coisas que estão a sua volta. Uma mulher forte que de um jeito ou de outro, sabe o que quer e os meios para chegar até seus objetivos.

Quando seu padrasto, Venino José da Silva, matriculou ela no Colégio Municipal Orsina da Fonseca (internato), sua perspectiva cultural mudou. Ela tinha contato com diversas classes sociais, etnias, costumes e hábitos diferentes que ajudaram a moldar a sua visão de mundo, permitindo que ela chegasse ao destaque na composição do Samba, atingindo todas pessoas, independente se era pobre ou rico, todos a escutavam (cultura popular e a alta cultura).

Pelo pouco que conheço de sua história, percebo que boa parte de suas dificuldades, se deram por ela ser mulher, e não negra. Naquela época estava ocorrendo a importância do fenômeno da mestiçagem, ou seja, o Brasil estava reconhecendo a influência negra em seu meio (Hermano Vianna). Tanto que, no início de sua carreira como compositora, D. Ivone usava o seu primo como intermediário de suas músicas.

Ela é uma mediadora entre os mundos existentes da sociedade ali exposta. Seu trabalho como compositora possibilitou a interpretação dos universos simbólicos distintos (o fato de que mulher não poderia fazer samba) com os diferentes campos de possibilidades. Ela participa de diferentes níveis de realidade que a influenciaram a ser esta grande mulher brasileira, pioneira e compositora.

Como a própria Dona Ivone Lara diz: o samba reinou a noite inteira de uma tal maneira que espantou a tristeza, provando que o samba de raça tem força e pureza, quem samba partido alto samba miudinho o faz com amor e carinho o corpo se libertando.



 
Referência
 
VELHO, Gilberto. Rio de Janeiro: cultura, política e conflito. Coleção Antropologia Social. Ed Zahar, 2008.
 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O que é Aprendizagem?

Por Alessandra Schindler
 
 
 
O que é Aprendizagem?
 
Discorrer sobre o que é Aprendizagem e criar um conceito sobre isto, pode variar de acordo com cada pessoa e sua visão sobre o assunto. Ela pode ser considerada como o ato de compreensão ou entendimento daquilo que é novo e/ou desconhecido, um meio que usamos para adquirir conhecimento, habilidades e até mesmo novas experiências, sejam elas de quesito pessoal, profissional e etc.
 
Analisando pelo ponto de vista acadêmico, mais especificamente de Skinner, a aprendizagem é compreendida através do comportamento que temos no momento, a resposta e por fim as consequências do mesmo. É um processo de aquisição, onde ocorre uma probabilidade de mudança da resposta. Para Vygotsky, a aprendizagem é o meio de adquirir informações, valores, atitudes e entre outros, através do meio no qual a pessoa se encontra, as pessoas e a realidade na qual ela vive, ou seja, os fatores externos prevalecem como principal fonte de aprendizagem.
 
Em suma, acredita-se que o procedimento básico da aprendizagem é através da imitação, das experiências e do desenvolvimento do indivíduo. Dependendo da abordagem, pode ser uma associação de estímulo e resposta, uma adaptação do sujeito ao ambiente, pode variar de acordo com o contexto sociocultural e seus antecedentes históricos.

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Este foi um trabalho que realizamos na aula de Psicologia da Aprendizagem no início do ano.

domingo, 29 de novembro de 2015

Henri Wallon

 
Por Luciane Pillar
 
 
 


                                       Escola e infância -Teoria de Wallon



“A criança responde às impressões que as coisas lhe causam com gestos dirigidos a elas."
 
 
 “O indivíduo é social não como resultado de circunstâncias externas, mas em virtude de uma necessidade interna.”


Henri Wallon nasceu em Paris, França, em 1879. Graduou-se em medicina e psicologia. Fez também filosofia. Atuou como médico na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ajudando a cuidar de pessoas com distúrbios psiquiátricos. Em 1925, criou um laboratório de psicologia biológica da criança. Quatro anos mais tarde, tornou-se professor da Universidade Sorbonne e vice-presidente do Grupo Francês de Educação Nova - instituição que ajudou a revolucionar o sistema de ensino daquele país e da qual foi presidente de 1946 até morrer, também em Paris, em 1962.



Ao longo de toda a vida, dedicou-se a conhecer a infância e os caminhos da inteligência nas crianças. Militante de esquerda, participou das forças de resistência contra Adolf Hitler e foi perseguido pela Gestapo (a polícia política nazista) durante a Segunda Guerra (1939-1945). Em 1947, propôs mudanças estruturais no sistema educacional francês. Coordenou o projeto Reforma do Ensino, conhecido como Langevin-Wallon - conjunto de propostas equivalente à nossa Lei de Diretrizes e Bases. Nele, por exemplo, está escrito que nenhum aluno deve ser reprovado numa avaliação escolar.


Em 1948, lançou a revista Enfance, que serviria de plataforma de novas ideias no mundo da educação - e que rapidamente se transformou numa espécie de bíblia para pesquisadores e professores. Wallon propunha uma concepção mais integrada com ênfase nos aspectos emocionais e afetivos.



Suas ideias são fundamentadas em quatro elementos básicos que interagem o tempo todo: afetividade, movimento, inteligência e a formação do eu como pessoa. Militante apaixonado (tanto na política como na educação), dizia que reprovar é sinônimo de expulsar, negar, excluir. Ou seja, "a própria negação do ensino".


Atualmente é comum pensar que a escola deve proporcionar formação integral (intelectual, afetiva e social) às crianças. Porém, no início do século passado, essa ideia foi uma verdadeira revolução no ensino comandada por Wallon. Sua teoria pedagógica, que diz que o desenvolvimento intelectual envolve muito mais do que um simples cérebro, abalou as convicções numa época em que memória e erudição eram o máximo em termos de construção do conhecimento. Wallon acredita que as emoções tem papel importante no desenvolvimento da pessoa. Através das emoções que o aluno expressa seus desejos e suas vontades em geral são manifestações que expressam um universo importante e perceptível, mas pouco estimulado pelos modelos tradicionais de ensino.


Diferentemente dos métodos tradicionais (que priorizam a inteligência e o desempenho em sala de aula), a proposta walloniana põe o desenvolvimento intelectual dentro de uma cultura mais humanizada. A abordagem é sempre a de considerar a pessoa como um todo. Elementos como afetividade, emoções, movimento e espaço físico se encontram num mesmo plano. As atividades pedagógicas e os objetos, devem ser trabalhados de formas variadas. Numa sala de leitura, por exemplo, a criança pode ficar sentada, deitada ou fazendo coreografias da história contada pelo professor. Os temas e as disciplinas não se restringem a trabalhar o conteúdo, mas a ajudar a descobrir o eu no outro. Essa relação dialética ajuda a desenvolver a criança em sintonia com o meio.
 
Abaixo temos um vídeo explicando um pouco melhor sobre Wallon e sua teoria:

 





Referência


SANTOS, Fernando Tadeu. Henri Wallon. Disponível em: <
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/henri-wallon-307886.shtml#> Acesso em: 28/11/2015.

Piaget e Vygotsky

Por Giane Assmann

                           Teóricos importantes para a Psicologia do Desenvolvimento 
 
 
 
Jean Piaget (1896-1980) investigador mais influente na área de psicologia do desenvolvimento no séc. XX, acreditava que a capacidade do ser humano de ter pensamentos simbólicos e abstratos era o que o diferenciava dos animais. Acreditava também que as pré-condições para o desenvolvimento cognitivo era de responsabilidade da maturação biológica, Piaget, baseia a sua teoria em dois aspectos principais: 1º é o processo de conhecimento e o 2º são as etapas que o indivíduo passa até adquirir essas habilidades. O sujeito tem seu comportamento controlado através de “esquemas” que são organizações mentais que ele mesmo cria para representar o mundo e indicar as ações, para isso é guiado por uma orientação biológica para que possa obter um equilíbrio entre esquemas e o ambiente em que se encontra ( equilibração), com isso podemos perceber que se ocorrer um desequilíbrio este será a motivação para que ocorra alterações nas estruturas mentais do indivíduo.
Descreve ainda dois processos que o sujeito utiliza para que ocorra sua adaptação, são eles: assimilação que é o processo de moldar novas informações e encaixar nos esquemas já existentes e acomodação que é a mudança que ocorre nesses sistemas já existentes pela alteração das formas antigas de pensar e de agir.
Classifica da seguinte forma os Estágios de Desenvolvimento:
 
  • Estágio sensório-motor (do nascimento até 2/3 anos), é quando a criança desenvolve os “esquemas de ação” sobre o objeto, o que lhe permite obter um conhecimento físico da realidade. Nessa fase a criança constrói esquemas sensórios-motores o que lhe da a capacidade de fazer imitações e com isso construir representações mentais mais complexas.
     
  • Estágio pré-operatório (dos 2/3 anos aos 6/7 anos), etapa em que a criança começa a construir a relação causa e efeito, e também as simbolizações. Conhecida como a idade dos porquês e do faz de conta.
     
  • Estágio operatório-concreto (dos 6/7 aos 10/11 anos), etapa em que a criança começa a construir conceitos, através de uma sustentação lógica , constrói o conceito de números. Seu pensamento já pode ser considerado lógico, mas ela ainda esta presa a conceitos concretos.
     
  • Estágio operatório-formal (dos 10/11 aos 15/16 anos), fase já da adolescência aonde ele já constrói pensamentos abstratos, já possui diferentes pontos de vista e já é capaz de pensar cientificamente.
Lev Vygotsky – Sua teoria é baseada no desenvolvimento cognitivo e tem raízes na teoria marxista do materialismo dialético, ou seja as mudanças históricas da sociedade geram mudanças na natureza humana. Para Vygotsky o desenvolvimento humano ocorre pela participação do sujeito nas atividades sociais, e que são as estruturas sociais que ocasionam o desenvolvimento das funções mentais. Salientava que as crianças se desenvolviam muito mais com brincadeiras e jogos, de instruções formais e do relacionamento de um aprendiz com outro aprendiz com mais experiência . Ele acreditava que desenvolvimento cognitivo dependia mais das interações pessoais e dos instrumentos ( reais, papel, caneta, computador) do mundo da criança. Pressuposto básico de sua teoria é a de que a criança entra em contato com o social ( e nisso ocorre o nível interpessoal), e após isso ela entra em contato com ela própria ( nível intrapessoal).
 
 
Os Princípios da análise de desenvolvimento de Vygotsky são:
  • Filogenético – a espécie humana com sua própria história
  • Ontogenético – a própria história do sujeito
  • Sociogenético - deve-se levar em consideração a relação sócio cultural do sujeito.
  • Microgenético – cada sujeito tem seu tempo exato de desenvolvimento.
 
 
Ressalta então que o desenvolvimento humano acontece de fora para dentro, ou seja o fato de eu aprender faz com que eu me desenvolva e este caminho está ligado com o fator cultural. Considerando então a mediação como fator central para a psicologia de Vygotsky é necessário que os professores, supervisores, educadores, etc. compreendam que todos são modificáveis através da mediação.
 
Referência
 
 
PRADO, Elisangela do. Resumo sobre as teorias de Piaget e Vygotsky. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABeA8AJ/resumo-sobre-as-teorias-piaget> Acesso em 28/11/2015.